O futebol como um fenômeno da cultura brasileira

As coisas só acontecem por acaso, necessidade ou vontade nossa! Epicuro - filósofo.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Campeonato Paraibano_Décima terceira RODADA



Testando o elenco
BOTAFOGO-PB PÕE EM CAMPO JOGADORES INEXPERIENTES
E AINDA ASSIM VENCE O ATLÉTICO
 

Precisando vencer, o Atlético tentou, tentou, mas não conseguiu se impor diante do Belo, que jogou em casa


O Botafogo-PB recebeu o Atlético de Cajazeiras na noite desta segunda-feira (06), no estádio Almeidão, pelo complemento da 13ª rodada do segundo turno do Campeonato Paraibano e venceu a partida pelo placar de 2 a 1, de virada, com gols de Warley e Wanderley. O zagueiro Thuram, do Belo, marcou contra para o Atlético.
O Botafogo-PB foi para a partida com muitas modificações, e a falta de entrosamento era nítida no grupo. O Atlético de Cajazeiras partiu para cima do Belo e foi em busca do resultado positivo, pois é um dos fortes candidatos a uma das duas vagas que restam para a fase final da competição.
O jogo começou muito truncado no meio de campo, e com as equipes se estudando. Aos 7 minutos da etapa inicial Thuram fez falta frontal em Leandro, que cobrou por cima da meta do goleiro Remerson, sem perigo. Na sequência da jogada, o Botafogo chegou com Toninho pela direita, que cruzou com muita força e perdeu uma excelente oportunidade, a bola passando por cima do gol do arqueiro atleticano, Aluízio.
O jogo seguiu nervoso. Aos 16 minutos, Ricardo faz falta no atacante botafoguense Thiaguinho. Na cobrança, Michel alça a bola na área, e no bate e rebate a bola fica melhor para a zaga atleticana. Aos 21 minutos, quando o Botafogo começava a se acertar, veio o gol do Atlético. Thuram foi disputar a bola com o atacante Paloma e o zagueirão, ao tentar dar um chutão para escanteio, acabou acertando o gol do seu próprio time. Atlético 1 a 0.
Depois do gol da equipe sertaneja, o Trovão acendeu na partida e partiu pra cima, pressionando o Botafogo. Aos 32 minutos foi a vez do Belo chegar com perigo. Toninho em velocidade pela direita, driblou o lateral esquerdo Paulinho, rolou para Izaías, que chutou, mas a zaga atleticana jogou para escanteio.
A etapa inicial já se encaminhava para seus instantes finais, quando Warley, aos 41 minutos, em um bom contra-ataque, fez uma boa tabelinha com Wanderley. Quando recebeu a bola de volta, o atacante, de cara com o goleiro Aluízio, empurrou para o fundo das redes e empatou a partida no Almeidão. 1 a 1, no placar.
Segundo Tempo
A etapa complementar começou com o Atlético partindo para cima e pressionando, em busca de passar a frente do marcador mais uma vez. Mas quando o Trovão vinha em um bom momento, o Belo chegou ao gol da virada. Num bom contra-ataque puxado por Thiaguinho, a bola acabou sobrando para Wanderley, que empurrou para o fundo das redes. Vira-vira no Almeidão.
O Atlético ainda chegou em duas boas oportunidades à meta do goleiro Remerson, já nos acréscimos, mas o goleiro botafoguense fez excelentes defesas, garantindo a vitória do tricolor da Maravilha do Contorno. E ficou por isso mesmo. Fim de partida, Botafogo 2 a 1, no Atlético, de Cajazeiras.
Com a vitória, o Botafogo-PB chegou a 18 pontos, assumindo a quarta colocação no segundo turno. O Belo tem mais um jogo antes das semifinais, no dia 17, contra o Treze, no Amigão. Já o Atlético permance com 16, na sexta colocação, mas com três jogos a menos. Na próxima quinta-feira (09), o Trovão vai a Campina Grande enfrentar o líder Campinense.
OUTROS RESULTADOS
CSP 1 x 1 TREZE
CAMPINENSE 2 x 2 SOUSA
NACIONAL 1 x 2 AUTO ESPORTE 

Espaço acadêmico_JORNALISMO ESPORTIVO


Desde o dia onze de julho de 2011 (ver textos), este espaço no blog está franqueado aos meus alunos da disciplina de Jornalismo Esportivo, que leciono no curso de Comunicação Social da Universidade Federal da Paraíba. Aqui, o internauta vai poder conferir a produção dos melhores alunos do curso, através de matérias produzidas como exercício da citada disciplina. As duas matérias que seguem, abaixo, foram as duas melhores produzidas no semestre 2012.2, como trabalho prático da cobertura de uma partida de futebol, válida pelo campeonato paraibano deste ano de 2013. Boa leitura!
 
***


Belo sai vencedor, mas o embate não foi bonito...



Por Juliana Freire 
 
 
Jogadores do Belo, Hércoles e Diego Sousa, comemoram junto com a torcida a vitória em cima do Treze

Aos poucos os pais iam chegando de mãos dadas com os filhos, mulheres roendo as unhas, menininhas vestidas não de rosa, mas de alvinegro, pintando o “sete” nos degraus da arquibancada. O som dos gritos de guerra ecoava forte e imperativo nos arredores do estádio José Américo de Almeida Filho. Radialistas para lá e para cá ziguezagueavam atrás de entrevistados pela lateral do gramado. Era dia de clássico na tarde do dia 14 de abril, na Capital. E Deus naquele domingo ensolarado parecia ser pessoense.



Juliana Freire, 22 anos, é bailarina
e graduanda do 8º período do curso de Jornalismo da UFPB
A trave mantivera o resultado conquistado ainda no primeiro tempo. Fim de jogo: 1 a 0 para o Botafogo, em cima do Treze.
Às 17 horas havia tido início o embate entre os clubes na disputa pela sétima rodada do segundo turno do Campeonato Paraibano. Ambos já classificados para a fase final, prometiam um jogo menos acalorado do que o de costume. Nada disso. As torcidas cobravam bom desempenho. O Belo, apesar de ter sido o campeão do turno inicial do Campeonato, vinha de três derrotas consecutivas e ocupava a lanterna da segunda fase. O Galo da Borborema, vice-campeão do primeiro turno, também não vinha bem das pernas, com apenas dois pontos a mais do que o adversário, além de ter perdido por 2 a 0 do CSP, no último jogo.
O clássico, então, voltava a prometer. Torcedores clamavam por isso e o clima esquentava das arquibancadas rumo ao campo. Aos três minutos do primeiro tempo, Diego Silva lançou a bola para Wanderlei, que marcou o primeiro gol do Botafogo. Torcedores do Belo em festa. Dona Ana Maria da Silva não cabia no próprio sorriso. Ela via lá do alto, na arquibancada, seu filho em campo e comemorava o passe que seu menino tinha deixado nos pés do autor do gol. A alegria durou pouco, embora o orgulho de mãe permanecesse para além do término da disputa. Gol ilegal. O juiz marcava impedimento e o jogo seguia tal qual começou, com o mesmo placar.
O grito vibrante de dona Ana Maria foi externado, para alegria dos torcedores do Belo, mais uma vez alguns minutos depois. Com cerca de meia hora de jogo, Éverton aproveitou o rebote proveniente de um escanteio e balançou a rede adversária. Os trezeanos se revoltaram fora de campo e provocaram os botafoguenses. Momento de conflito nas arquibancadas, que logo foi cessado. Em campo, porém, a briga crescia. A bola rolava e a cada esbarrão dos jogadores um cartão amarelo lançado ao alto. Foram oito destes e dois vermelhos para os brigões Léo Breno, do Galo, e Hércules, do Botafogo, que esqueceram que o jogo se disputava com os pés e começaram a lutar MMA. Dez em campo de cada lado num jogo truncado e de muitas paralisações por faltas. O novo gramado do Almeidão, única parte já concluída da reforma por que passa o Estádio, não foi suficiente para fazer a bola deslizar em campo.
 






Disputa de bola na área do Botafogo em jogo fraco tecnicamente
As chances de mudança no placar, no entanto, eram frequentes. Nos minutos finais do primeiro tempo, o Treze quase empatou. O jogador botafoguense Doda, contudo, fechou a trave e salvou o Belo na linha do gol. No segundo tempo, o Galo da Borborema voltava mais agressivo ao jogo. Era bola na trave, bola sobrando na zona de perigo do Botafogo. O ídolo do Belo, o artilheiro Warley, que estava apenas assistindo ao jogo devido ao machucado ainda não recuperado na parte superior da coxa, esboçava inquietação com seu time na arquibancada. Parece que a vontade que lhe assolava era de resolver de uma vez o jogo para o Botafogo, o qual corria grandes riscos de sofrer um gol a qualquer momento. Levando as mãos dos botafoguenses à cabeça, Palhinha cobrou falta para o Treze. Os 9.100 torcedores presentes no Estádio acompanharam o trajeto da bola para dentro da rede. Bola a gol. Pausa. Havia um goleiro no meio do caminho. A muralha Genivaldo agarrava todas para o desespero dos trezeanos. Não teve jeito: a disputa foi vencida pelo time da casa.
Para Marcelino Rodrigues, torcedor do Galo da Borborema, seu clube jogou melhor do que o Botafogo no segundo tempo. “Pena que não ganhamos. Mas vamos conquistar a vitória do Paraibano”, afirmou confiante. Em contrapartida, Ronaldo Adriano, botafoguense roxo, disse que o Belo mereceu a vitória e destacou o centroavante Diego Silva - aquele mesmo, o filho de Dona Ana Maria - como o grande nome da partida.
O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, que também é torcedor do Botafogo, ponderou nos elogios destinados ao Belo e revelou que seu clube quase o “mata do coração”. Cartaxo apontou o goleiro Genivaldo como o melhor jogador do clássico. “Nosso goleiro fechou a gol”, finalizou.
Conclusão da partida: com o resultado de 1 a 0, o Belo saiu da lanterna e possui a melhor classificação geral. O Treze, por sua vez, só não ocupa a última posição agora porque o Nacional de Patos perdeu para o Atlético no final de semana e tem saldo de gols inferior. Tanto o time sertanejo, como o Galo possuem seis pontos na tabela de classificação.
 
***
 
BOTAFOGO VENCE O CLÁSSICO TRADIÇÃO EM JOGO ‘FRACO’
 
 
Por Grazielle Uchôa
 

          Diego Sousa não marcou, mas saiu de campo comemorando uma boa atuação pelo Belo
 Tudo começou quando Antônio de Abreu e Lima (Tonico), na época Conselheiro do Botafogo-PB, ao vibrar com um gol do time gritou “BELO” com tanta intensidade e fervor que levou o resto dos torcedores a gritarem o adjetivo junto com ele.  Neste domingo (14), milhares de botafoguenses, a maioria sem saber de onde o apelido carinhoso surgiu, gritavam com igual ebulição, empurrando o time da capital desde antes do início da partida. Não qualquer partida. O adversário da sétima rodada da segunda fase do Paraibano era o Treze, maior rival do clube no estado, que acabou voltando para casa beirando a lanterna do campeonato após ter perdido o jogo pelo placar de 1 a 0.

 

Grazielle Uchôa, 21, é  aluna do o 8º período de Jornalismo (UFPB)
A torcida alvinegra foi ao Estádio “Almeidão” - que está em reformas, mas foi liberado para o clássico com parte de sua capacidade - munida de cruzes e caixões que representavam o clube campinense e disposta a gastar toda potência das suas cordas vocais com canções que exaltassem o Botafogo e com xingamentos e muitos palavrões que insultassem e provocassem o adversário. 







Em termos objetivos, a disputa não valia muita coisa. Botafogo e Treze entraram em campo já classificados para a fase final do Estadual (já que o Belo foi campeão simbólico e o Treze vice da primeira fase), mas como dizem os próprios jogadores, “clássico é clássico”, “rivalidade é rivalidade” e “o que vale é os três pontos”. Por isso, a torcida não quis saber das campanhas inexpressivas de ambos os times nesta segunda etapa, e o que importava de fato era a vitória – se possível esmagadora - sobre o rival. Antes mesmo do apito inicial, as provocações já atiçavam os ânimos no estádio. Um torcedor do Treze, no setor das cadeiras cativas, agitava uma bandeira do galo e cantava solitário as canções do seu time, quando botafoguenses que estavam na arquibancada sombra, logo abaixo das cadeiras, sentiram-se provocados e iniciaram um tumulto, conseguindo, inclusive, tirar a bandeira das mãos do torcedor e rasgá-la antes que a polícia se interpusesse entre os setores e controlasse a situação. O clima de animosidade estava posto. E, claro, se assim não fosse, não estaríamos falando da maior rivalidade futebolística da Paraíba.
Quando o árbitro Renan Roberto apitou o início da partida, as provocações entre as torcidas não mais importariam. Dali em diante, eram 11 contra 11, quem se impusesse mais sob o adversário sairia com os três pontos e deixaria o rival no fim da tabela de classificação. Foi o que aconteceu com o Galo, que agora soma 6 pontos, acima apenas do Nacional de Patos na tabela, contra os 7 do Botafogo que, com a vitória de domingo, deixou a lanterna da competição. O Bota espera ter deixado também a má fase, já que vinha de uma sequência de três derrotas, com aproveitamento de apenas 22,2% em seis jogos. Na primeira fase, teve 81% em 14 jogos. Mesmo com desfalques importantes, como o atacante Warley, o meia Gil Bala e o zagueiro Thuran, o clube da capital conseguiu segurar o Treze e resistiu aos momentos de pressão do Galo, hora por sorte, hora por eficiência da defesa alvinegra.
E por falar em eficiência, foram raros os momentos em que ela tomou a vez nos lances. Aqueles que disseram que até os pernas de pau jogariam bem no tapete que está o gramado do Almeidão, depois de ver o Clássico tradição deste domingo, devem ter mudado de ideia. Embora tenha havido alguns bons lances de perigo em ambas as áreas, o jogo foi marcado por muitas faltas, deficiência técnica e uma infinidade de erros de passe dos dois lados. No primeiro tempo, o Botafogo foi mais à frente, teve mais posse de bola, mas pecou na qualidade do passe, por isso não conseguia se organizar quando passava do meio de campo em direção ao gol do Galo. O resultado disso foi que o gol do Belo acabou saindo aos 28 minutos, por um lance de bola parada. Após cobrança de escanteio de Fábio Neves, o goleiro Beto defendeu para o Treze, mas a bola sobrou na área e Éverton, escalado como titular de última hora, após o desfalque de Thuran, converteu para o Botafogo e garantiu a vitória do time pessoense.
O lance de destaque do primeiro tempo foi o que resultou, aos 33 minutos, na expulsão dos jogadores Hércules e Léo Breno, que se estranharam na pequena área do Treze. Após ser empurrado, Hércules, volante alvinegro que voltava de suspensão, esmurrou Léo Breno, zagueiro treziano. O episódio esquentou o clima da partida e incendiou as torcidas. Contudo, com dez jogadores de cada lado e com o campo muito grande, trabalhar o passe se mostrou ainda mais necessário e ainda mais deficiente. Assim, a expulsão dos jogadores tornou ainda mais evidente as debilidades técnicas dos dois times.
Na segunda etapa, o jogo permaneceu tecnicamente sofrível, no entanto, um pouco mais equilibrado. O Treze teve boas chances de empatar a disputa, mas por sorte do time da casa, nenhuma delas se concretizou. Foi por pouco. Palhinha cobrou uma falta no ângulo direito de Genivaldo, mas o goleiro, que jogou no sacrifício, com dores no joelho, não aceitou e fez a melhor defesa da partida, espalmando a bola para fora. Depois dos 16 minutos, o Bota melhorou e passou a buscar mais o segundo gol, mas quando chegava à área adversária, no mano a mano, faltava qualidade para as finalizações. Já no fim do jogo, Deivid Modesto, lateral direito que estreava como reforço do Galo, soltou um chutaço no travessão. Acabara aí as chances do clube campinense de levar pelo menos o empate para casa. Após o último susto, a torcida botafoguense se inflamou e logo a festa tomou conta. Torcedores, jogadores e comissão técnica respiraram aliviados, ao menos por hora, pelo fato de o time ter voltado a vencer, afinal, chegar à fase final do campeonato bem, ganhando, é importante para a autoestima dos jogadores, e será determinante na sua postura dentro de campo.
O próximo desafio do Botafogo é contra o CSP, na quinta-feira, no estádio da Graça. Já o Treze enfrenta o atual líder da competição, o Auto Esporte, na quarta-feira, também na Graça.
 



 

 

 

 

domingo, 5 de maio de 2013

Futebol e literatura_ANÁLISE


A torre e o apagão

 
Edônio Alves
 

Na coluna da semana passada (ver aqui) tratei da relação do futebol com a literatura para explicar a importância do pênalti no futebol e como os escritores utilizam esse momento-limite (a cobrança da penalidade máxima no jogo) como uma metáfora poderosíssima para debaterem as situações também limites da condição humana nas suas manifestações literárias. Volto ao tema desta relação hoje para apresentar outro tópico literário muito usado nas narrativas de ficção que tomam o futebol como matéria de fatura: a criação de personagens fictícios como estratagema para se abordar o lado intangível do futebol, a sua face imponderável; o universo dos sortilégios e do inexplicável deste jogo magnífico.

Faço isso, com efeito, impulsionado pelas próprias percepções dos torcedores que flagram essa dimensão do futebol nada racionalizável. É que vi um texto curioso de um torcedor postado num desses blogs da internet em que ele tentava explicar a esquisita derrota do Botafogo da Paraíba para o Campinense pelo placar de 4 a 1, ocorrida na décima rodada do Campeonato Paraibano. A goleada se deu em circunstâncias também esquisitas em que uma das torres de iluminação do estádio Almeidão deu defeito e não pôde ser acesa, o que demandou a anuência dos presidentes dos dois clubes para que a partida fosse realizada, assim mesmo, na escuridão parcial do gramado.

Ademais, no jogo em si, outra circunstância esquisita foi o Botafogo levar quatro gols por falhas consecutivas da sua defesa embora tenha dominado a partida em quase sua totalidade. Daí, ficou a questão para o torcedor: como explicar tal derrota? A solução encontrada, penso eu, foi a mesma de que os escritores de ficção lançam mão quando se deparam com problemas assim, no futebol.

O dramaturgo e cronista de futebol, Nelson Rodrigues, foi o primeiro escritor a dar estatuto literário definitivo a esse estratagema. Ele criou, entre outros, a figura (ou o personagem) que chamou de O Sobrenatural de Almeida, e sempre o utilizava nesses casos.

Mas, vamos às explicações do torcedor, referida acima. Diz ele, a certa altura, no seu blog: "Ôh raiva da gota!! Devo ter envelhecido no mínimo cinco anos de ontem pra hoje!!!! Caberia fácil uma ação de dano moral. Mas, já encontrei um responsável. Nada de colocar a culpa na zaga. Seria muito exigir um zagueiro estilo “Palhaço Ninja”, que ao mesmo tempo faça a torcida feliz e proteja a defesa. Nada de pedir a cabeça de Genivaldo, único “ídolo” sem títulos do futebol mundial. Nada de reclamar de Warley, que parecia, ontem, ter sido feito de laranja, pois tava só o bagaço. A culpa foi da Torre!!!!".

Pois bem. A figura do Sobrenatural de Almeida foi criada por Nelson Rodrigues precisamente para personificar e simbolizar o imponderável, as forças do acaso, ou para justificar a imprevisibilidade e a imprecisão que reinam no universo do jogo de futebol. Justamente por isso, tal figura recebe do escritor uma caracterização especialíssima. É, a princípio, uma figura "abominável", "tenebrosa", "cínica", e "manca". Sim, ela tem uma perna mais curta do que a outra. Contudo, mesmo assim, é capaz de interferir diretamente no resultado de um jogo de futebol.

Veja-se, a propósito, descrita por Nelson Rodrigues, a sua interferência num Fla-Flu, ocorrido outrora, no Rio de Janeiro. A conversa entre o personagem e o cronista se dá numa redação de jornal carioca, onde Nelson trabalhava. Depois dos cumprimentos de praxe, dá-se o seguinte diálogo:

"‘Tens visto a minha atuação?’ Ao mesmo tempo que fala, abana-se com a Revista do Rádio. Sinto que ele está vaidoso de não sei de que ignóbeis feitos. Tive a vontade quase irresistível de perguntar: ‘Assaltaste algum chauffer?’ Por delicadeza, esperei que o miserável fizesse a sua autopromoção. E, então, depois de limpar um pigarro, de estufar o peito magro, diz ele patético: ‘Eu venci o Fla-Flu! Eu!’ [...] ‘Ou não percebeste a minha influência no placar?’ Juntou gente em torno da minha mesa. Ao mesmo tempo, chegava o contínuo com dois cafezinhos na bandeja. E, então, mexendo o açúcar, o abjeto cidadão contou, para nosso espanto, a sua ação contra o Fluminense".

Penso eu, cá com os meus botões, eu mesmo que sou torcedor do Botafogo da Paraíba, que foi o Sobrenatural de Almeida que naquele jogo vestiu-se de torre de iluminação e causou aquele estrago na defesa do Belo. Não tem ninguém no mundo que me faça abandonar esta convicção.
 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Campeonato Paraibano_Décima segunda RODADA


Em recuperação
BOTAFOGO MELHORA E VENCE FÁCIL O CLÁSSICO DA CAPITAL
Celico cobra a falta para Warley cabecear e fazer o segundo gol da vitória do Belo
Na tarde desta quarta-feira (01), dia do trabalhador, Botafogo/PB e Auto Esporte entraram em campo para realizarem mais um clássico no Estádio da Graça, em João Pessoa, em jogo válido pela 12ª rodada do segundo turno do Campeonato Paraibano.

O time alvinegro jogou melhor e venceu o rival pelo placar de 2 a 0, com gols de Celico, aos 15 do primeiro tempo, e de Warley, aos 19 minutos da etapa final.

Com o resultado, o Botafogo/PB chegou aos 15 pontos e subiu para a sexta colocação da competição. Em contrapartida, o Auto Esporte conheceu a sua quinta derrota consecutiva e permaneceu com 16 pontos, na quinta posição.

O Alvinegro começou arrasador. E desde os primeiros minutos tocava bola e avançava ofensivamente. O primeiro lance real de gol, por exemplo, aconteceu logo aos cinco minutos. Celico, pela esquerda, encontrou espaço e levantou na área. Warley cabeceou e meteu a bola na trave.

A dupla estava mesmo impossível de ser parada. Aos 15 minutos da etapa inicial, o Belo teve um lance de bola parada a seu favor. E na cobrança de falta, o lance se repetiu. Celico levantou e de cabeça Warley desviou para o fundo de gol. 1 a 0 e festa na Graça. Depois, a arbitragem confirmou o gol para Celico, alegando que o atacante botafoguense não chegou a tocar na bola.

Só dava Botafogo, e ainda no primeiro tempo o time chegou mais duas vezes. Na primeira, aos 28 minutos, Fábio Neves soltou uma bomba, que obrigou o goleiro alvirrubro Alan a fazer difícil defesa. Pouco depois, Thiaguinho acertou o travessão.

No segundo tempo, o Auto Esporte melhorou um pouco. Jó Boy e Cristiano Alagoano tocavam a bola e tentavam equilibrar mais as jogadas. Romarinho também chegou duas vezes, mas errava na finalização. E assim o tempo ia passando sem que o Auto chegasse com perigo real.

Até que o Botafogo teve nova oportunidade, mais uma vez com a dupla formada por Celico e Warley. Em nova cobrança de falta de Celico, Warley meteu de cabeça para o fundo das redes. Lance exatamente igual ao do primeiro gol, mas desta vez o árbitro confirmou o gol do camisa 9 botafoguense.

Antes do fim do confronto, Celico ainda chegou mais uma vez ao ataque. Desta vez sem cruzamento para a área. Ele soltou uma bomba, mas Alan defendeu. No fim, o Bota só fez administrar o jogo e deixar a torcida um pouco mais confiante quanto ao desempenho do time a partir de agora.
 
OUTROS RESULTADOS
NACIONAL 0 x 3 CSP
TREZE 0 x 0 CAMPINENSE (em 12/05/2013)
ATLÉTICO 1 x 0 SOUSA (em 12/05/2013)

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Campeonato Paraibano_Décima primeira RODADA


Apatia geral
BOTAFOGO-PB ANDA EM CAMPO E EMPATA COM O NACIONAL
 
 
Em tarde nublada na capital paraibana, o Botafogo-PB recebeu o Nacional de Patos para tentar esquecer da goleada sofrida para o Campinense por 4 a 1 e voltar a levar alegria para a torcida. No meio do caminho, entretantoo, tinha uma pedra. Enfrentando um Nacional aguerrido e jogando de forma apática, o Belo voltou a tropeçar em João Pessoa. No fim, um empate em 2 a 2 em um duelo marcado por expulsões e mais um pênalti perdido por Warley. Marcaram para o Botafogo, Júlio César Zabotto e Thiaguinho, enquanto Laércio e Sobral fizeram para o Nacional.

O time da casa começou o jogo dando impressão de que ia conseguir a reabilitação de maneira tranquila. Logo aos 11 minutos, Julio Zabotto recebeu uma boa enfiada de bola dentro da área e chutou no canto, abrindo o placar. Após o gol, o Belo relaxou e o Nacional começou a gostar do jogo. Aos 19, Laércio recebeu dentro da área e chutou forte, sem chance para o arqueiro Genivaldo, em mais uma falha do sistema defensivo do Bota. O primeiro tempo ainda reservou a primeira expulsão do duelo, quando Anderson Lima levou o segundo amarelo, após confusão na área do Botafogo, aos 43 minutos.

Na segunda etapa, o time de Marcelo Vilar voltou mais apático ainda. Mesmo com um a menos, o Nacional jogava com mais disposição e logo aos 8 minutos Sobral virou a partida. Quatro minutos depois, Thiaguinho, que entrou na segunda etapa, recebeu boa bola e empatou, na saída do arqueiro nacionalino.

O Bota pressionava, mas errava bastante. Warley teve a chance da virada em um pênalti e mais uma vez desperdiçou a cobrança. Aos 37, Julio Zabotto levou o segundo cartão e também foi tomar banho mais cedo. Aos 46, Miltinho e Ítalo, do Nacional, foram expulsos, após falta e reclamação, respectivamente.

Na próxima rodada, o Botafogo-PB encara o Auto Esporte no clássico Botauto, às 16h, na Arena da Graça, nesta quarta-feira (28). Já o Nacional pega o CSP no José Cavalcanti, no mesmo dia, mas às 17 horas. Com o empate, o Nacional segue na lanterna e o Botafogo-PB logo atrás, na penúltima colocação desse segundo turno.
 
OUTROS RESULTADOS
SOUSA 0 x 0 TREZE
CAMPINENSE 4 x 0 AUTO ESPORTE
CSP 1 x 1 ATLÉTICO

 

domingo, 28 de abril de 2013

Futebol e Literatura_ANÁLISE


Sua majestade, o pênalti

 
por Edônio Alves


Resolvi tratar hoje aqui de um tema não muito usual para uma coluna semanal sobre futebol: a relação deste esporte com a literatura. É que pesquiso esse assunto há um certo tempo e de vez em quando me flagro constatando na vida real situações estudadas por mim nas histórias de ficção produzidas pelos craques da literatura. Notadamente, é bom que se diga, quando essas histórias versam sobre questões ligadas ao universo do futebol. Este é o caso, portanto, do que vou contar a seguir.
 
Tomemos como exemplo, neste sentido, o escritor Flávio Carneiro e conheçamos um pouco da sua história. Ele nasceu em Goiânia, em 1962, e mudou-se para o Rio de Janeiro no início dos anos de 1980. Escritor, crítico literário, roteirista e professor de literatura da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), publicou doze livros e escreveu dois roteiros para cinema. Como ficcionista, é autor de um livro de contos, três romances e cinco novelas para crianças e jovens.
 
 Participou também de algumas antologias, como “Os cem menores contos brasileiros do século”, organizada pelo escritor Marcelino Freire, com o mini-conto, Na sala de espelhos, e “22 contistas em campo”, organizada por Flávio Moreira da Costa, com o conto, Penalidade Máxima.
 
É também professor de graduação e pós-graduação em literatura brasileira e comparada, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde leciona desde 1995 e seu mais recente livro publicado, que trata especialmente sobre futebol, intitula-se, Passe de letra: futebol & literatura, editado pela Editora Rocco do Rio de Janeiro, em 2009.
 
Como já disse, Carneiro é autor do conto, Penalidade máxima, que está publicado no livro 22 contistas em campo, organizada por Flávio Moreira da Costa e publicado pela Ediouro, do Rio de Janeiro, em 2006.
 
Esta narrativa intenta captar e transmitir para o leitor um dos momentos mais concentrados do futebol em termos de economia de meios, o que significa, na prática do jogo da bola, a convergência radical de estratégias técnicas pessoais, o domínio das emoções controladas e a confluência de expectativas díspares quanto ao seu desfecho: a batida de um pênalti por parte de um jogador encarregado de cobrá-lo, como se diz no vocabulário futebolístico especializado.
 Enquanto fato de efetivação estética na composição literária, esse momento crucial do jogo é abordado nesta história, por parte do narrador, a partir do ponto de vista de um jogador de 21 anos que tem nas mãos a oportunidade única de resolver para si, num único, preciso e irrepetível instante, duas questões a ele correlatas: dar a vitória ao seu time no campeonato de futebol de várzea que disputa como artilheiro e jogador de destaque e, à mesma feita, encetar uma vingança pessoal contra o goleiro adversário por quem supostamente sua garota se enamorara, num vislumbre de puro alumbramento da parte dela, percebido por ele, dentro do gramado do jogo.
Ser uma percuciente análise subjetiva da interioridade humana quando exposta a casos particulares de momentos decisivos é o mérito maior desta narrativa de ficção que encontra no futebol seu meio adequado de expressão.
Pois bem! Trouxe o tema aqui porque na semana passada, vi em dois jogos de futebol da vida real essa questão central do pênalti ser colocada para dois clubes e alguns dos seus jogadores. O primeiro deles foi a partida entre Auto Esporte e Treze, válida pela 8ª rodada do campeonato Paraibano. O segundo jogo foi entre Campinense e Sampaio Correia, pela Copa do Brasil. Nos dois casos, o pênalti foi o que decidiu o destino dos combatentes da peleja da bola.
O Campinense venceu o Sampaio Correia por pênaltis após este time ter perdido um pênalti no final do tempo regulamentar. O placar final do jogo foi 7 a 6 para o Campinense após a cobrança da série de pênaltis que desempataria o resultado agregado de dois jogos: uma vitória para cada time nos jogos de ida e volta. Já o Auto Esporte tomou uma goleada de 3 a 0 para o Treze, após perder um pênalti aos 8 minutos iniciais da partida com o rival. Por causa disso, perdeu o equilíbrio e a concentração psicológica do jogo e não conseguiu fazer mais nada a não ser, ver o adversário jogar.
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Campeonato Paraibano_Décima RODADA


Jogo dos 4 erros
BOTAFOGO FALHA MUITO E É GOLEADO PELO O CAMPINENSE
 
Ataque do Campinense comemora os presentes recebidos da zaga do Botafogo em noite de um futebol inexplicável
 
Em meio a polêmica de uma torre de refletor que não acendeu, e um impasse sobre se, por esse motivo, aconteceria ou não a partida, Botafogo-PB e Campinense se enfrentaram no Almeidão na noite desta quinta-feira (25), pela décima rodada do segundo turno do Campeonato Paraibano.
O jogo começou disputado. As duas equipes tentavam manter a boa fase que vinham passando, mas logo aos 7 minutos o placar foi aberto. Primeiro erro da zaga do Botafogo: o volante Dedé aproveitou uma falha do zagueiro Everton e chegou livre na frente de Genivaldo. Só precisou colocar a bola por baixo do arqueiro botafoguense para marcar o primeiro o gol da Raposa na partida.
O Botafogo-PB não teve tempo nem de reagir. Já aos 11 minutos, o Campinense cobrou falta para dentro da área e veio o segundo erro da zaga: Osmar saiu da bola, Genivaldo se atrapalhou todo e rebateu a bola nos pés de Danilo Portugal, que chutou e marcou o segundo gol dos rubro-negros no jogo.
Perdido na defesa, o Bota-PB só conseguiu ter ação aos 22 minutos, quando Fábio Neves mandou um tirambaço de fora da área, e obrigou Pantera a fazer uma grande defesa. Na sequência, Wanderley tentou de bicicleta, mas o arqueiro raposeiro estava atento e segurou a pelota. Mas a grande chance do Belo veio aos 28 minutos, quando Panda cometeu pênalti em Osmar. Warley foi para a cobrança, mas Pantera fez a defesa. Essa foi a terceira penalidade desperdiçada por Warley no Campeonato Paraibano.
Logo na sequência veio o castigo. Terceiro erro da zaga do Belo: aos 33 minutos, mais um apagão passou pelo sistema defensivo do Botafogo-PB. Alberto cruzou a bola para o meio da área, Everton mais uma vez falhou, e a bola sobrou para Rodrigo, que só teve o trabalho de deslocar Genivaldo e fazer o terceiro gol para os campinenses, ainda na primeira etapa.
A Raposa ainda teve chance de fazer o quarto gol. Aos 42 e aos 43 do primeiro tempo o camisa 1 do Belo defendeu chutes de Jéferson Maranhense e Zé Paulo, evitando um mal ainda maior para o time pessoense antes do intervalo do jogo.
Segundo Tempo
Ante aquilo que deveria ser a reação do Botafogo-PB, o que se viu foi muita passividade. Mesmo com as mudanças, o clube de João Pessoa não conseguiu avançar como desejava o seu treinador. O jogo ficou morno por maior parte da segunda metade da partida.
A primeira boa chance veio aos 21 minutos, quando Warley aproveitou cruzamento e mandou a bola no travessão de Pantera. Um minuto depois, Thiaguinho recebeu bom passe e, frente a frente com o goleiro da Raposa, chutou, mas o arqueiro fez grande defesa e evitou a reação do Belo.
O tricolor da capital conseguiu seu gol apenas aos 42 minutos. Warley cobrou penalidade cometida pela zaga do Campinense, que colocou a mão na bola dentro da grande área, e fez o gol de honra do Botafogo-PB na partida.
Na saída de bola, o Campinense foi para cima, e já veio a resposta. Quarto erro da zaga pessoenese: Zé Paulo aproveitou falha de Celico, que lhe entregou a bola de mão beijada, e chutou de fora da área no canto de Genivaldo que nada pôde fazer. Com o 4 a 1 no placar, o árbitro encerrou a partida.
Com a vitória, o Campinense vai à liderança isolada do segundo turno, com 19 pontos. Já o Botafogo-PB permanece na sétima posição, com 11.

OUTROS RESULTADOS
CSP 5 x 0 Sousa
Treze 1 x 0 Nacional
Atlético 1 x 0 Auto Esporte